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Mineração lucra com alta de preços, após Brumadinho

Imagem retirada de https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/02/13/internas_economia,1121486/mineracao-lucra-com-alta-de-precos-apos-brumadinho.shtml Imagem retirada de https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2020/02/13/internas_economia,1121486/mineracao-lucra-com-alta-de-precos-apos-brumadinho.shtml

No mesmo ano em que o rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, matou 272 pessoas e vários reservatórios em risco paralisaram completamente suas atividades em Minas Gerais, a indústria da mineração no Brasil aumentou em 40% o seu faturamento.

Segundo informações divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a receita do setor mineral passou de R$ 110,2 bilhões, em 2018, para R$ 153,4 bilhões, em 2019. A tragédia em Brumadinho fez com que a produção do minério de ferro caísse 8,8% e o volume total de minérios exportados recuasse em 50 milhões de toneladas. Ainda assim, as exportações cresceram US$ 2,5 bilhões no ano passado.

A explicação para o aumento do faturamento no mesmo ano em que a maior empresa do setor enfrentou grande crise está no aumento do preço médio do minério de ferro, vedete das exportações minerais brasileiras, e no aumento do valor do dólar.

O preço médio da tonelada do minério de ferro em 2018 foi US$ 63, mas já no início do ano passado, após o rompimento da barragem em Brumadinho e a redução na oferta de ferro, o valor da tonelada no mercado internacional subiu rapidamente. A cotação ultrapassou US$ 100 – a média do preço da tonelada em 2019 foi US$ 93. A valorização do dólar entre 2018 (R$ 3,65) e 2019 (R$ 3,94) também favoreceu a receita das empresas.

“Em Minas Gerais, onde o minério de ferro tem predominância, a partir da tragédia em Brumadinho, houve uma redução da oferta. O preço subiu no primeiro momento de maneira substancial, chegou a passar de US$ 100 a tonelada. Depois, caiu gradativamente e está em torno de U$S 80. A capacidade não produtiva (barragens fechadas) foi substituída por outros competidores, parte da produção veio de empresas que conseguiram aumentar.

A própria Vale, que foi afetada, transferiu sua produção para Carajás. Países produtores de minério de ferro, como a Austrália, certamente tiraram muita vantagem dessa situação”, analisou o presidente do Conselho Diretor do Ibram, Wilson Brumer.

O anúncio dos dados do setor mineral foi feito um dia após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciar a queda de 5,6% da produção da indústria mineira no ano passado, influenciada principalmente pela redução na produção do setor extrativo no estado. “Apesar de haver uma queda na produção do minério de ferro, que é o forte de Minas, os resultados do Brasil como um todo foram positivos, principalmente quando se fala das exportações”, explicou Brumer.

Além do aumento do preço do minério de ferro no mercado internacional, a exportação turbinada de outros minerais em 2019 contribuiu para os resultados positivos do setor. A venda de ouro no exterior cresceu 27%, com receitas dessas operações passando de US$ 2,8 bilhões, em 2018, para US$ 3,5 bilhões, em 2019. A exportação do ferronióbio avançou 12,9%, ao subir de US$ 2 bilhões para US$ 2,27 bilhões. A exportação do manganês aumentou 18,9%; de US$ 406 milhões para US$ 483 milhões.

Em comparação com 2018, o volume das vendas de minério brasileiro para outros países caiu 50 milhões de toneladas. De 409 milhões de toneladas exportadas passou para 359 milhões de toneladas no ano passado. Ainda assim, a indústria faturou com a vendas para o exterior US$ 32,5 bilhões, ante US$ 30 bilhões em 2018.

Investimentos  
De acordo com os dados do Ibram, o setor da mineração deve aumentar em 18% o volume de investimentos em 2020. Para os próximos cinco anos a previsão sobre as intenções de investimento no setor é de que os gastos com novos projetos somem US$ 32,5 bilhões. Desse montante, US$ 2,3 bilhões deverão ser direcionados para a segurança de barragens de rejeito, descomissionamento (quando a barragem para de receber rejeitos e passa por um processo de desativação) e descaracterização (quando a barragem é reintegrada ao sistema natural do lugar).

O setor espera que, a partir deste ano, a política da Agência Nacional de Mineração (ANM) de expandir a atividade minerária e a aprovação automática de requerimentos de pesquisa, caso o órgão não conceda uma resposta em 120 dias, gere um salto nas pesquisas minerais. “Essa norma da ANM não só vai acelerar os processos de liberação de pesquisas, mas aponta que a agência está procurando ter seus processos digitalizados e com prazos. Antigamente, no DNPM (órgão extinto com a criação da ANM) tínhamos dificuldade em conseguir rapidez nos projetos de mineração”, afirmou Flávio Penido, presidente do Ibram.


Questionados sobre o projeto apresentado pelo governo federal ao Congresso Nacional que prevê a liberação de várias atividades econômicas em terras indígenas, os representantes do Ibram avaliaram que o texto não foi uma reivindicação do setor mineral e que não existem estudos sobre a existências de reservas minerais na região da Amazônia.

“O Ibram não está defendendo a mineração em terras indígenas. É um tema que será discutido longamente na Câmara e no Senado e que precisa ser regulamentado. Existe a lenda de que terras indígenas no Brasil seriam um verdadeiro eldorado e que vai haver uma invasão de mineradoras. Isso não procede, sequer existem estudos ou pesquisas”, disse Penido.


OS DESTAQUES
» Exportações da mineração brasileira  
2018 – 409 milhões de toneladas e receita de US$ 30 bilhões
2019 – 359 milhões de toneladas e receita de US$ 32,5 bilhões

» Quanto subiu a receita em 2019
Ferro 9,73%
Ouro 27,73%
Ferronióbio 12,9%
Manganês 18,92%
Cobre 14,64%

» Investimentos no setor (previsão)
2018 a 2022 – US$ 19,5 bilhões
2019 a 2023 – US$ 27,5 bilhões
2020 a 2024 – US$ 32,5 bilhões

fonte: Estado de Minas

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